Crítica por Flávia Souza
Espetáculo “Raio de Sol”
Apresentado em 24/05/2026
O espetáculo Raio de Sol começa com um cenário extremamente criativo dentro de uma proposta sustentável. O palco é tomado por sacos de lixo coloridos e biodegradáveis, construindo imediatamente um universo lúdico ligado à infância.
A entrada dos atores em cena é encantadora, pois eles
permanecem o tempo todo inseridos nessa simbologia dos sacos de lixo. O
figurino é criativo, sustentável e harmonioso, trazendo tons inspirados nos
próprios sacos e elementos recicláveis que compõem visualmente a cena. As
crianças permaneceram muito atentas desde o início, especialmente quando o
espetáculo começou ao som da congada, valorizando a cultura popular brasileira.
Era possível ouvir algumas delas comentando: “Olha, é o lixo dançando!”, o que
já reforça a mensagem sobre os cuidados que devemos ter com o meio ambiente.
Os atores Fernando Dias e Sarah Christina são incríveis
e conseguem manter o público completamente envolvido durante toda a
apresentação. Destaco especialmente a atriz Sarah Christina, pela sua
desenvoltura caricata e, ao mesmo tempo, dócil e espevitada, criando uma
presença cênica muito marcante.
As trilhas musicais são variadas e muito bem utilizadas.
O espetáculo passeia pelo funk, pelos tambores, pelo coco e por manifestações
populares afro-brasileiras, trazendo animação, pertencimento cultural e muito
entusiasmo por parte das crianças, que claramente se divertiram.
A peça também aborda uma pauta extremamente importante:
o racismo ambiental. Através da temática do lixo, das enchentes e da poluição,
o espetáculo conscientiza sobre a importância de não descartar resíduos nas
ruas e reforça a responsabilidade coletiva com o meio ambiente. Sabemos que
essa realidade atinge principalmente as favelas, onde a falta de saneamento
básico e de informação contribui para doenças e perdas de vidas.
Um dos momentos mais lindos acontece quando um enorme
saco plástico envolve toda a plateia. Crianças e adultos ficam completamente
imersos naquela atmosfera mágica, acompanhados por um belíssimo jogo de luzes
que nos transporta para outro universo. A criatividade do espetáculo não cansa
de surpreender.
Após a simulação de um afogamento, surge a forte
mensagem sobre a importância da limpeza e da preservação ambiental para evitar
a poluição. Em seguida, os atores convidam as crianças a ajudarem a recolher os
sacos espalhados pelo espaço. Foi uma sacada maravilhosa, pois transforma em
prática tudo aquilo que vinha sendo discutido durante a apresentação sobre
empatia social e responsabilidade coletiva. As crianças participaram com
entusiasmo, colocando em ação o aprendizado vivido ali. Foi um momento muito
bonito.
Também destaco o uso do boneco de mão e das “Três
Marias”, figuras imaginárias e criativas que reforçam, de maneira delicada, a importância
de termos companhia, afeto e apoio — mesmo que através da imaginação.
O espetáculo se encerra com uma linda simbologia envolvendo bolinhas de
sabão, sementes e o ato de plantar. A importância da água, da semente, do
cultivo e da vida é apresentada de forma didática e sensível, reforçando uma
mensagem de esperança e de confiança no futuro.









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