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terça-feira, 2 de junho de 2026

CRÍTICAS TEATRAIS - A FARRA DO BOI BUMBÁ - 6ª MOSTRA ASLUCIANAS

 


Crítica Teatral – A Farra do Boi Bumbá por Flávia Souza

Dia 29/05/2026




A Farra do Boi Bumbá, da Cia Os Ciclomáticos Companhia de Teatro, começa antes mesmo de chegar ao palco. A encenação invade a plateia e, desde os primeiros instantes, contagia o público com uma energia vibrante, transformando espectadores em participantes de um grande cordel vivo. Essa dinâmica interativa aproxima a narrativa do público e cria uma atmosfera festiva que se sustenta durante toda a apresentação.

Com um cenário simples, mas coerente com a proposta estética do espetáculo, a montagem evidencia a força de um elenco maduro, talentoso e extremamente potente em cena. De forma descontraída e divertida, os artistas conduzem o público por uma celebração da cultura popular brasileira, utilizando músicas, danças e narrativas que valorizam nossas raízes e contribuem para que jovens e adultos conheçam, preservem e perpetuem esse patrimônio cultural tão precioso.

Um dos momentos que mais chama atenção é o Xaxado Mix, proposta inovadora que dialoga com diferentes gerações e demonstra como a tradição pode se renovar sem perder sua essência. O figurino é um espetáculo à parte: as pedrarias, as cores vibrantes e as referências ao sertão brasileiro enchem os olhos e ampliam a beleza visual da montagem. A maquiagem elaborada e as coreografias extremamente sincronizadas reforçam ainda mais o encantamento, criando imagens cênicas de grande impacto.

Também merece destaque a abordagem das diversas manifestações do boi pelo Brasil e a valorização das festas populares, elementos fundamentais para a compreensão da riqueza cultural apresentada em cena. Em alguns momentos, tive a sensação de estar diante de três histórias distintas, o que acabou deixando a figura do boi um pouco dispersa dentro da narrativa. No entanto, sua aparição é arrebatadora. O momento em que o boi surge em cena é de rara beleza, carregado de simbolismo, magia e emoção.

A mensagem de renascimento trazida pelo espetáculo é profundamente tocante. O retorno do boi à vida representa não apenas a força da tradição popular, mas também a capacidade de um povo de celebrar, resistir e encontrar alegria mesmo diante das adversidades. É a explosão das cores, da música e da dança que reafirma o desejo simples e universal de ser feliz.

Destaco ainda a primorosa direção de Ribamar Ribeiro, que conduz o espetáculo com sensibilidade e ritmo. O elenco, formado por Renato Neves, Carla Meirelles e Juliana Santos, demonstra grande sintonia cênica. Faço um destaque especial para Júlio Cesar Ferreira, Getúlio Nascimento e Nivea Nascimento, pela impressionante desenvoltura nas mudanças de personagens, pela precisão dos gestos e pela expressividade corporal que enriquecem cada cena.


Outro aspecto encantador é o manejo dos bonecos de mão, realizado com delicadeza e precisão. Esse recurso amplia o imaginário infantil e cria momentos de grande poesia visual, capazes de despertar o encantamento das crianças e dos adultos.

Considero importante ressaltar que se trata de um espetáculo mais adequado ao público infantojuvenil, pois algumas falas e gestuais podem não dialogar plenamente com a primeira infância dentro do contexto teatral apresentado.

A finalização é emocionante e encerra a jornada com uma mensagem poderosa sobre perdão, justiça e verdade. O espetáculo nos lembra que, apesar dos conflitos, a verdade sempre encontra seu caminho e o amor continua sendo uma força transformadora.

Que A Farra do Boi Bumbá tenha muitos anos de vida pela frente. Que continue espalhando beleza, cultura, memória e alegria por onde passar. Meus parabéns pelos 12 anos deste espetáculo em cena e toda trajetória e por presentear o público com uma obra tão colorida, sensível e necessária.










sábado, 30 de maio de 2026

CRITICAS TEATRAIS - 6º MOSTRA ASLUCIANAS - RESPIRA

 


Crítica por Juka Goulart
Espetáculo “RESPIRA”
Apresentado em 23/05/2026




Com uma encenação delicada e visualmente harmoniosa, Respira demonstra como o corpo pode comunicar aquilo que as palavras não alcançam. O espetáculo aposta na expressão física dos atores-bailarinos e constrói uma narrativa compreensível mesmo no silêncio.


O figurino simples revela-se extremamente funcional, adaptando-se organicamente às necessidades das cenas, enquanto a maquiagem individualiza os personagens sem comprometer a unidade estética do conjunto. O resultado é um espetáculo coeso, sensível e tecnicamente muito bem executado.








CRITICAS TEATRAIS - 6º MOSTRA ASLUCIANAS - PÊNDULO SUBURBANO

 


Crítica por Juka Goulart
Espetáculo “PENDULO SUBURBANO”
Apresentado em 23/05/2026

Pêndulo Suburbano




A autoficção exige coragem artística, e Pêndulo Suburbano encontra justamente nessa honestidade sua maior potência. O espetáculo conduz o público pelos deslocamentos físicos e emocionais de quem enfrenta diariamente os desafios da periferia em busca de estudo, crescimento e dignidade.


O ator constrói uma narrativa íntima e profundamente humana, capaz de transformar experiências pessoais em identificação coletiva. Sem excessos, a cena encontra força justamente na simplicidade de sua verdade.










sexta-feira, 29 de maio de 2026

CRITICAS TEATRAIS - 6 º MOSTRA ASLUCIANAS - NENHUMA MULHER NASCE BRUXA

 


Crítica por Juka Goulart
Espetáculo “NENHUMA MULHER NASCE BRUXA”
Apresentado em 22/05/2026

Nenhuma Mulher Nasce Bruxa






Nenhuma Mulher Nasce Bruxa
propõe uma reflexão potente sobre intolerância, exclusão e neurodivergência, estabelecendo um paralelo sensível entre as perseguições históricas às “bruxas” e a dificuldade contemporânea de compreender aquilo que foge aos padrões estabelecidos.

O espetáculo acerta ao abordar um tema complexo sem recorrer ao didatismo excessivo. Pelo contrário: utiliza o humor e a leveza para tornar a mensagem mais acessível e profundamente humana. A narrativa diverte ao mesmo tempo em que provoca reflexão, permitindo que o público se reconheça nas diferenças apresentadas em cena.




Como sugestão estética, o figurino poderia explorar de maneira mais ousada a fusão entre elementos clássicos da figura da bruxa e referências visuais ligadas à neurodivergência, ampliando simbolicamente o discurso da obra.

Frase de efeito: O palco se torna mais humano quando acolhe todas as formas de existir.









quinta-feira, 28 de maio de 2026

CRÍTICAS TEATRAIS - 6º MOSTRA ASLUCIANAS - DO JONGO AO FUNK - NOSSA CONEXÃO É ANCESTRAL

 


Crítica por Juka Goulart
Espetáculo “DO JONGO AO FUNK - NOSSA CONEXÃO É ANCESTRAL”
Apresentado em 22/05/2026




Do Jongo ao Funk – Nossa Conexão é Ancestral

Há espetáculos que celebram a cultura, e há espetáculos que a fazem pulsar diante dos nossos olhos. Do Jongo ao Funk – Nossa Conexão Ancestral pertence à segunda categoria. A montagem é uma explosão de musicalidade, ancestralidade e pertencimento, conduzida por três gerações que traduzem em cena a potência da arte de matriz africana.


A atmosfera criada remete às tradicionais famílias circenses, nas quais o saber artístico atravessa gerações como herança afetiva e cultural. A energia do elenco e a força da música tornam a experiência extremamente envolvente.

Como possibilidade de crescimento dramatúrgico, a inserção de uma linha narrativa mais definida poderia conectar melhor os números apresentados, fortalecendo ainda mais a trajetória da família retratada e ampliando o impacto emocional da montagem.

Frase de efeito: A ancestralidade ganha eternidade quando encontra voz no palco.








CRÍTICAS TEATRAIS - 6º MOSTRA ASLUCIANAS - FAMÍLIA REBOLA BOLA

 


Crítica por Juka Goulart
Espetáculo “FAMÍLIA REBOLA BOLA”
Apresentado em 23/05/2026



Família Rebola Bola

O verdadeiro termômetro de um espetáculo infantil é a reação das crianças — e Família Rebola Bola conquista seu público desde os primeiros minutos. O envolvimento espontâneo da plateia infantil, que participa, vibra e se entrega à experiência, revela a força de uma encenação extremamente bem-sucedida.

A montagem aposta na interatividade, nos números musicais e em um elenco afinado, que demonstra domínio absoluto do ritmo cênico. As músicas autorais enriquecem ainda mais a experiência e ajudam a criar uma identidade própria para o espetáculo.

Visualmente, o cenário e, sobretudo, os figurinos se destacam de maneira brilhante. O uso das bolas como elemento estético e simbólico desperta imediatamente o imaginário infantil, reconectando também os adultos às memórias da infância. A escolha cromática em preto e branco revela sofisticação e personalidade visual; talvez uma iluminação inteiramente baseada em luz branca reforçasse ainda mais essa proposta estética minimalista.

Como possibilidade de ampliação dramatúrgica, o DJ poderia assumir presença mais ativa em cena, seja através de pequenas intervenções sonoras, vinhetas ou participações corporais, tornando-se um elemento dramatúrgico ainda mais integrado ao espetáculo.

Família Rebola Bola reafirma a importância do teatro infantil de qualidade: aquele que diverte sem subestimar a inteligência da criança.

Frase de efeito: Quando a criança acredita na magia da cena, o teatro já venceu.







CRITICAS TEATRAIS - 6º MOSTRA ASLUCIANAS - “MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA DA MULHER DO SÉCULO XXI”

 

Crítica por Juka Goulart
Espetáculo “MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA DA MULHER DO SÉCULO XXI”
Apresentado em 22/05/2026


Manual de Sobrevivência da Mulher do Século XXI

É dolorosamente atual perceber que, em pleno século XXI, ainda seja necessário discutir questões básicas relacionadas ao respeito e à dignidade da mulher. Manual de Sobrevivência da Mulher do Século XXI transforma essa urgência em linguagem cênica com sensibilidade, humor e contundência. O espetáculo encontra equilíbrio entre denúncia e leveza, utilizando a comicidade e a movimentação corporal como ferramentas de comunicação extremamente eficazes.

A encenação se estrutura quase como uma coreografia coletiva, em que os atores transitam entre a atuação e a dança, conduzidos por um figurino dinâmico e expressivo que contribui diretamente para a narrativa. O resultado é uma cena viva, pulsante e muito bem executada pelo elenco.

Mais do que um esquete, a obra se torna um convite à reflexão social, sobretudo para aqueles que ainda insistem em naturalizar comportamentos machistas já há muito ultrapassados.

Frase de efeito: Quando a arte denuncia com beleza, ela transforma consciência em movimento.







Confira