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sábado, 30 de maio de 2026

CRITICAS TEATRAIS - 6º MOSTRA ASLUCIANAS - RESPIRA

 


Crítica por Juka Goulart
Espetáculo “RESPIRA”
Apresentado em 23/05/2026




Com uma encenação delicada e visualmente harmoniosa, Respira demonstra como o corpo pode comunicar aquilo que as palavras não alcançam. O espetáculo aposta na expressão física dos atores-bailarinos e constrói uma narrativa compreensível mesmo no silêncio.


O figurino simples revela-se extremamente funcional, adaptando-se organicamente às necessidades das cenas, enquanto a maquiagem individualiza os personagens sem comprometer a unidade estética do conjunto. O resultado é um espetáculo coeso, sensível e tecnicamente muito bem executado.








CRITICAS TEATRAIS - 6º MOSTRA ASLUCIANAS - PÊNDULO SUBURBANO

 


Crítica por Juka Goulart
Espetáculo “PENDULO SUBURBANO”
Apresentado em 23/05/2026

Pêndulo Suburbano




A autoficção exige coragem artística, e Pêndulo Suburbano encontra justamente nessa honestidade sua maior potência. O espetáculo conduz o público pelos deslocamentos físicos e emocionais de quem enfrenta diariamente os desafios da periferia em busca de estudo, crescimento e dignidade.


O ator constrói uma narrativa íntima e profundamente humana, capaz de transformar experiências pessoais em identificação coletiva. Sem excessos, a cena encontra força justamente na simplicidade de sua verdade.










sexta-feira, 29 de maio de 2026

CRITICAS TEATRAIS - 6 º MOSTRA ASLUCIANAS - NENHUMA MULHER NASCE BRUXA

 


Crítica por Juka Goulart
Espetáculo “NENHUMA MULHER NASCE BRUXA”
Apresentado em 22/05/2026

Nenhuma Mulher Nasce Bruxa






Nenhuma Mulher Nasce Bruxa
propõe uma reflexão potente sobre intolerância, exclusão e neurodivergência, estabelecendo um paralelo sensível entre as perseguições históricas às “bruxas” e a dificuldade contemporânea de compreender aquilo que foge aos padrões estabelecidos.

O espetáculo acerta ao abordar um tema complexo sem recorrer ao didatismo excessivo. Pelo contrário: utiliza o humor e a leveza para tornar a mensagem mais acessível e profundamente humana. A narrativa diverte ao mesmo tempo em que provoca reflexão, permitindo que o público se reconheça nas diferenças apresentadas em cena.




Como sugestão estética, o figurino poderia explorar de maneira mais ousada a fusão entre elementos clássicos da figura da bruxa e referências visuais ligadas à neurodivergência, ampliando simbolicamente o discurso da obra.

Frase de efeito: O palco se torna mais humano quando acolhe todas as formas de existir.









quinta-feira, 28 de maio de 2026

CRÍTICAS TEATRAIS - 6º MOSTRA ASLUCIANAS - DO JONGO AO FUNK - NOSSA CONEXÃO É ANCESTRAL

 


Crítica por Juka Goulart
Espetáculo “DO JONGO AO FUNK - NOSSA CONEXÃO É ANCESTRAL”
Apresentado em 22/05/2026




Do Jongo ao Funk – Nossa Conexão é Ancestral

Há espetáculos que celebram a cultura, e há espetáculos que a fazem pulsar diante dos nossos olhos. Do Jongo ao Funk – Nossa Conexão Ancestral pertence à segunda categoria. A montagem é uma explosão de musicalidade, ancestralidade e pertencimento, conduzida por três gerações que traduzem em cena a potência da arte de matriz africana.


A atmosfera criada remete às tradicionais famílias circenses, nas quais o saber artístico atravessa gerações como herança afetiva e cultural. A energia do elenco e a força da música tornam a experiência extremamente envolvente.

Como possibilidade de crescimento dramatúrgico, a inserção de uma linha narrativa mais definida poderia conectar melhor os números apresentados, fortalecendo ainda mais a trajetória da família retratada e ampliando o impacto emocional da montagem.

Frase de efeito: A ancestralidade ganha eternidade quando encontra voz no palco.








CRÍTICAS TEATRAIS - 6º MOSTRA ASLUCIANAS - FAMÍLIA REBOLA BOLA

 


Crítica por Juka Goulart
Espetáculo “FAMÍLIA REBOLA BOLA”
Apresentado em 23/05/2026



Família Rebola Bola

O verdadeiro termômetro de um espetáculo infantil é a reação das crianças — e Família Rebola Bola conquista seu público desde os primeiros minutos. O envolvimento espontâneo da plateia infantil, que participa, vibra e se entrega à experiência, revela a força de uma encenação extremamente bem-sucedida.

A montagem aposta na interatividade, nos números musicais e em um elenco afinado, que demonstra domínio absoluto do ritmo cênico. As músicas autorais enriquecem ainda mais a experiência e ajudam a criar uma identidade própria para o espetáculo.

Visualmente, o cenário e, sobretudo, os figurinos se destacam de maneira brilhante. O uso das bolas como elemento estético e simbólico desperta imediatamente o imaginário infantil, reconectando também os adultos às memórias da infância. A escolha cromática em preto e branco revela sofisticação e personalidade visual; talvez uma iluminação inteiramente baseada em luz branca reforçasse ainda mais essa proposta estética minimalista.

Como possibilidade de ampliação dramatúrgica, o DJ poderia assumir presença mais ativa em cena, seja através de pequenas intervenções sonoras, vinhetas ou participações corporais, tornando-se um elemento dramatúrgico ainda mais integrado ao espetáculo.

Família Rebola Bola reafirma a importância do teatro infantil de qualidade: aquele que diverte sem subestimar a inteligência da criança.

Frase de efeito: Quando a criança acredita na magia da cena, o teatro já venceu.







CRITICAS TEATRAIS - 6º MOSTRA ASLUCIANAS - “MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA DA MULHER DO SÉCULO XXI”

 

Crítica por Juka Goulart
Espetáculo “MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA DA MULHER DO SÉCULO XXI”
Apresentado em 22/05/2026


Manual de Sobrevivência da Mulher do Século XXI

É dolorosamente atual perceber que, em pleno século XXI, ainda seja necessário discutir questões básicas relacionadas ao respeito e à dignidade da mulher. Manual de Sobrevivência da Mulher do Século XXI transforma essa urgência em linguagem cênica com sensibilidade, humor e contundência. O espetáculo encontra equilíbrio entre denúncia e leveza, utilizando a comicidade e a movimentação corporal como ferramentas de comunicação extremamente eficazes.

A encenação se estrutura quase como uma coreografia coletiva, em que os atores transitam entre a atuação e a dança, conduzidos por um figurino dinâmico e expressivo que contribui diretamente para a narrativa. O resultado é uma cena viva, pulsante e muito bem executada pelo elenco.

Mais do que um esquete, a obra se torna um convite à reflexão social, sobretudo para aqueles que ainda insistem em naturalizar comportamentos machistas já há muito ultrapassados.

Frase de efeito: Quando a arte denuncia com beleza, ela transforma consciência em movimento.







CRÍTICAS TEATRAIS - 6º MOSTRA ASLUCIANAS - TELA PRETA

Crítica por Juka Goulart
Espetáculo “TELA PRETA”
Apresentado em 22/05/2026


Tela Preta

Em tempos em que a tecnologia atravessa nossas relações, afetos e percepções de mundo, Tela Preta surge como um esquete pertinente e inquietante. A montagem aborda com inteligência a alienação provocada pelo excesso de estímulos digitais e a forma como as telas acabam substituindo experiências humanas concretas, sobretudo entre os jovens. A proposta estética reforça muito bem esse universo distópico: cenografia e figurinos dialogam harmonicamente ao construir um ambiente frio, tecnológico e quase opressor, como se revelassem o avesso sombrio das imagens idealizadas projetadas pelas telas.

Como sugestão construtiva, o celular cenográfico poderia receber um acabamento mais integrado à identidade visual da cena. A inserção de elementos de sucata tecnológica talvez ampliasse sua potência simbólica e estética, alinhando-o melhor ao restante do cenário.

Ainda assim, trata-se de um esquete reflexivo e necessário, capaz de provocar o público a pensar criticamente sobre o presente e o futuro que estamos construindo.

Frase de efeito: O teatro cumpre sua maior função quando nos faz enxergar aquilo que já não percebemos na vida cotidiana.










CRÍTICAS DA 6º MOSTRA ASLUCIANAS - RAIOS DE SOL

 

Crítica por Flávia Souza
Espetáculo “Raio de Sol”
Apresentado em 24/05/2026


O espetáculo Raio de Sol começa com um cenário extremamente criativo dentro de uma proposta sustentável. O palco é tomado por sacos de lixo coloridos e biodegradáveis, construindo imediatamente um universo lúdico ligado à infância.

A entrada dos atores em cena é encantadora, pois eles permanecem o tempo todo inseridos nessa simbologia dos sacos de lixo. O figurino é criativo, sustentável e harmonioso, trazendo tons inspirados nos próprios sacos e elementos recicláveis que compõem visualmente a cena. As crianças permaneceram muito atentas desde o início, especialmente quando o espetáculo começou ao som da congada, valorizando a cultura popular brasileira. Era possível ouvir algumas delas comentando: “Olha, é o lixo dançando!”, o que já reforça a mensagem sobre os cuidados que devemos ter com o meio ambiente.

Os atores Fernando Dias e Sarah Christina são incríveis e conseguem manter o público completamente envolvido durante toda a apresentação. Destaco especialmente a atriz Sarah Christina, pela sua desenvoltura caricata e, ao mesmo tempo, dócil e espevitada, criando uma presença cênica muito marcante.

As trilhas musicais são variadas e muito bem utilizadas. O espetáculo passeia pelo funk, pelos tambores, pelo coco e por manifestações populares afro-brasileiras, trazendo animação, pertencimento cultural e muito entusiasmo por parte das crianças, que claramente se divertiram.

A peça também aborda uma pauta extremamente importante: o racismo ambiental. Através da temática do lixo, das enchentes e da poluição, o espetáculo conscientiza sobre a importância de não descartar resíduos nas ruas e reforça a responsabilidade coletiva com o meio ambiente. Sabemos que essa realidade atinge principalmente as favelas, onde a falta de saneamento básico e de informação contribui para doenças e perdas de vidas.

O espetáculo é altamente interativo, com danças contagiosas e dois artistas muito potentes em cena. Apenas deixo uma reflexão sobre o uso dos dreads no contexto da caracterização. Por não se tratar de um lugar de fala, talvez fosse interessante repensar essa escolha estética, já que a associação entre dreads e lixo pode, ainda que sem intenção, reforçar estereótipos racistas historicamente ligados à população preta, como ideias de sujeira, mau cheiro e desleixo. Em uma obra com uma mensagem tão bonita e sensível, esse foi o único ponto que considero importante refletir.

Um dos momentos mais lindos acontece quando um enorme saco plástico envolve toda a plateia. Crianças e adultos ficam completamente imersos naquela atmosfera mágica, acompanhados por um belíssimo jogo de luzes que nos transporta para outro universo. A criatividade do espetáculo não cansa de surpreender.

Após a simulação de um afogamento, surge a forte mensagem sobre a importância da limpeza e da preservação ambiental para evitar a poluição. Em seguida, os atores convidam as crianças a ajudarem a recolher os sacos espalhados pelo espaço. Foi uma sacada maravilhosa, pois transforma em prática tudo aquilo que vinha sendo discutido durante a apresentação sobre empatia social e responsabilidade coletiva. As crianças participaram com entusiasmo, colocando em ação o aprendizado vivido ali. Foi um momento muito bonito.

Também destaco o uso do boneco de mão e das “Três Marias”, figuras imaginárias e criativas que reforçam, de maneira delicada, a importância de termos companhia, afeto e apoio — mesmo que através da imaginação.

O espetáculo se encerra com uma linda simbologia envolvendo bolinhas de sabão, sementes e o ato de plantar. A importância da água, da semente, do cultivo e da vida é apresentada de forma didática e sensível, reforçando uma mensagem de esperança e de confiança no futuro.




 

 

 

 


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